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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

No Caminho com Maiakóvski

Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.
Eduardo Alves da Costa

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O MELHOR DE RUBEM ALVES

Tive a oportunidade de ter em mãos essa semana, um material da Positivo, intitulado: O MELHOR DE RUBEM ALVES. Escrito pelo Professor Samuel Lago se trata de um pequeno livro de 64 páginas, que expõem de uma maneira criativa (com textos e imagens), os vários textos de Rubem que já giram em trono de 80 livros. O livro da Positivo, faz uma seleção de textos para um grande gozo de seus leitores.

Segue adiante algum desses textos. Textos esses, que eu li e infelizmente concordei sobre.

"A ESCOLA É BURRA E INCOMPENTENTE

Porque ela não fala sobre aquilo que é vitalmente importante para as crianças.

Isso foi dito por Piaget no seu Biologia e Conhecimento.

Mas nem teria sido necessário que ele dissesse? O senso comum, sem precisar pesquisar, sabe disso muito bem. "

"É comum dizer-se que a função das escolas é preparar as crianças e os adolescente para a vida.

Como se a vida fosse algo que iá acontecer em algum ponto do futuro, depois da formatura, depois de entrar no mercado de trabalho [...]

Mas a vida não acontece no futuro.

Ela só acontece no aqui e no agora.

O objetivo da aprendizagem é viver, não é preparar para um futuro a ser vivido."

UM POUCO DE RUBEM ALVES

Nasceu em 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, Minas. A família mudou para o Rio em 1945, onde colegas zombaram de seu sotaque. Buscou refugio na religião. Teve aulas de piano. Estudou teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP) iniciou carreira como pastor. Teve três filhos

Mestre em Teologia, com o golpe militar de 1964, perseguido como subversivo, abandona a Igreja Presbiteriana e volta aos Estados Unidos.

Torna-se doutor em Filosofia. Considera a tese de doutorado, Uma Teologia de Esperanças (1969) e foi “um dos primeiros brotos” da Teologia da Libertação. Volta para o Brasil e em 1973 vaia para a Universidade Estadual de Campinas-Unicamp, onde é professor Emérito. Fez - se psicanalista. Admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octavio Paz, José Saramago, Frederico Nietzsche, T. S Eliot, Albert Camus, Santo Agostinho, Jorge Luis Borges, Fernando Pessoa.

Rubem Alves, é um dos mais respeitados intelectuais do Brasil, é amado por milhões de pessoas que, como ele, desejam construir um mundo melhor do que o que recebemos as nascer.

OBRAS

Crônicas As contas de vidro e o fio de nylon, Editora Ars Poética (São Paulo) Navegando, Editora Ars Poética (São Paulo) Teologia do cotidiano, Editora Olho D'Água (São Paulo) A festa de Maria, Editora Papirus (Campinas) Cenas da vida, Editora Papirus (Campinas) Concerto para corpo e alma, Editora Papirus (Campinas) E aí? - Cartas aos adolescentes e a seus pais, Editora Papirus (Campinas) O quarto do mistério, Editora Papirus (Campinas) O retorno eterno, Editora Papirus (Campinas) Sobre o tempo e a eterna idade, Editora Papirus (Campinas) Tempus fugit, Editora Paulus (São Paulo) Livros Infantis A menina, a gaiola e a bicicleta, Editora Cia das Letrinhas (SP) A boneca de pano, Edições Loyola (SP) A loja de brinquedos, Edições Loyola (SP) A menina e a pantera negra, Edições Loyola (SP) A menina e o pássaro encantado, Edições Loyola (SP) A pipa e a flor, Edições Loyola (SP) A porquinha de rabo esticadinho, Edições Loyola (SP) A toupeira que queria ver o cometa, Edições Loyola (SP) Estórias de bichos, Edições Loyola (SP) Lagartixas e dinossauros, Edições Loyola (SP) O escorpião e a rã, Edições Loyola (SP) O flautista mágico, Edições Loyola (SP) O gambá que não sabia sorrir, Edições Loyola (SP) O gato que gostava de cenouras, Edições Loyola (SP) O país dos dedos gordos, Edições Loyola (SP) A árvore e a aranha, Edições Paulus (SP) A libélula e a tartaruga, Edições Paulus (SP) A montanha encantada dos gansos selvagens, Edições Paulus (SP) A operação de Lili, Edições Paulus (SP) A planície e o abismo, Edições Paulus (SP) A selva e o mar, Edições Paulus (SP) A volta do pássaro encantado, Edições Paulus (SP) Como nasceu a alegria, Edições Paulus (SP) O medo da sementinha, Edições Paulus (SP) Os Morangos, Edições Paulus (SP) O passarinho engaiolado, Editora Papirus (Campinas) Vuelve, Pájaro Encantado, Sansueta Ediciones SA (Madrid, España) Filosofia da Ciência e da Educação A alegria de ensinar, Editora Ars Poética (SP) Conversas com quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP) Estórias de quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP) Filosofia da Ciência, Editora Ars Poética (SP) Entre a ciência e a sapiência, Edições Loyola (SP) Filosofia da Religião O enigma da religião (Campinas, Papirus) L' enigma della religione (Roma, Borla) O que é religião? (S. Paulo, Brasiliense) What is religion? (Maryknoll, Orbis) Was ist religion? (Zurich, Pendo) Protestantismo e Repressão (S. Paulo, Ática) Protestantism and Repression (Maryknoll, Orbis) Dogmatismo e Tolerância (S. Paulo, Paulinas) O suspiro dos oprimidos (S. Paulo, Paulinas) Biografias Gandhi: A Magia dos gestos poéticos (S. Paulo/Campinas, Olho D'Água/Speculum) Teologia A Theology of Human Hope (Washington, Corpus Books) Christianisme, opium ou liberation? (Paris, Éditions du Cerf) Teologia della speranza umana (Brescia, Queriniana) Da Esperança (Campinas, Papirus) Tomorrow's child (New York, Harper & Row) Hijos del manana (Salamanca, Siguime) Il figlio dei Domani (Brescia, Queriniana) Teologia como juego (Buenos Aires, Tierra Nueva) Variações sobre a vida e a morte (São Paulo, Paulinas) Creio na ressurreição do corpo (Rio de Janeiro, CEDI) Ich glaube an die Auferstehung des Leibes (Dusseldorf, Patmos VERLAG) I believe in the resurrection of the body (Philadelphia, Fortress Press) Je crois en la résurrection du corps (Paris, Éditions du Cerf) Poesia, Profecia, Magia (Rio de Janeiro, CEDI) Der Wind blühet wo er will (Dusseldorf, Patmos) Pai nosso (Rio de Janeiro, CEDI) Vater Unser (Dusseldorf, Patmos) The Poet, the Warrior, the Prophet (London, SCM Press) Parole da Mangiari (The Poet, the Warrior, the Prophet), Edizioni Qiqajon Comunitá di Bose (Itália) Vídeos O Símbolo Visões do Paraíso (realizado para apresentação na ECO -92) Conversando com quem gosta de ensinar

"Velho amigo dos tempos ancestrais"

Caros leitores do ideia habitual.Apresento-lhes um velho amigo meu dos bons tempos ancestrais! Bom e velho amigo. Conheci-o em Uibai-BA, onde ele mora atualmente. Aprendi muito com ele. Leitor nato, fan de grandes filmes como eu, apreciador de boas musicas. Ja curtimos muitas biritas ouvindo o nirvana. Bom, alem disso tudo ele e escritor. Recentemente comentei com ele sobre o IdeiaHabitual e veio logo a ideia de postarmos um conto criado por ele! Um belo conto. Postei recentemente sobre o Jornal "Boca do Inferno", pois bem, esse velho amigo meu e remanescente do mesmo lugar do jornal! La tem muita gente que realmente possui um cerebro! Seu nome! Junior, mais conhecido como o velho Kuriu! Apresento-lhes uma obra do velho Kuriu, e espero que seja a primeira de muitas a serem postadas aqui no IdeiaHabitual!
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Meia Sonata Meia sonata. Um barulho de sirene. Um olhar turvo. Um sonho. Levantar não é tão glorioso assim, o dia quase sempre começa desacreditado. Dois ou três passos iniciais, trôpegos, cambaleantes, separam o desvanecer noturno do movimento contrário do relógio, dos sons e da certeza(ou seria da incerteza?). A sujeira se condensa pelos cantos, - Preciso arrumar isso, limpar, preciso ser mais feliz, ser reconhecido, preciso ganhar muito dinheiro,... é... a sujeira fica pra depois. Esse céu que vejo parcialmente enquanto tomo café, quase que não significa nada pra mim, devo pensar nele como a última morada dos justos ou como a futura via de tráfego dos veículos flutuantes do porvir? Tanto faz. Minha condição não permite nenhum dos dois, possíveis realidades ou impossíveis enganos. Que tolo eu sou, tantas subjetividades alheias eu vivi, quantos invólucros dessas mentiras estão na minha estante que me satisfizeram pelo tempo que foi permitido em mim um abono irreconhecível por pouco empenho. Hoje olhando a minha sustentadora de ilusões só me atrai esse pequeno busto de Gêngis Kahn feito em barro com o nariz quebrado que uso para sustentar os livros, ao menos a poeira gosta muito dele e, o livros muito mais pesados, fingem um respeito mantendo-o quase sempre na posição de quem segura alguma coisa. Mais uma fuga. Saí hoje mesmo consciente de que isso mais me aborrece do que qualquer outra atividade banal. No caminho as coisas, como sempre, nem pareciam muito reais, mas não por falta de materialidade, por excesso dela. Andei até perto do lago, que na verdade não é lago, é um campinho de futebol. Mas bem que poderia ser um lago. Olhei tudo que poderia ser água e tudo que poderia ser peixe, e tudo que poderia ser respingos no meu rosto com ânsia de nadar. Isso acho que chega perto da felicidade. “Logo, nunca nos será permitido, sempre que tratarmos de investigar as coisas, concluir algo a partir de abstrações e deveremos tomar o máximo cuidado para não misturar aquilo que existe somente no entendimento com aquilo que existe na coisa” Sempre me lembro do que li da obra de Spinoza quando estou pensando assim. Mas eu não quero “dicatur perfecta” Spinoza. Eu não quero “quare recta iveniendi”. Eu queria xingar a tua mãe Spinoza. Meia sonata. Passa agora pelo meu lado, intersecção do meu círculo de imaginação, uma mulher. Ainda ouço (eu queria que você soubesse). (ainda ouço) eu queria que você me desse. (ouvindo) eu queria que sentisse, um segundo de tempo perdido. Jr.

sábado, 20 de setembro de 2008

Adélia Prado

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.