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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Música Urbana II

Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana, Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres Cantam música urbana, Motocicletas querendo atenção às três da manhã - É só música urbana. Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana E nas escolas as crianças aprendem a repetir a música urbana. Nos bares os viciados sempre tentam conseguir a música urbana. O vento forte seco e sujo em cantos de concreto Parece música urbana E a matilha de crianças sujas no meio da rua - Música urbana. E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana. Os uniformes Os cartazes Os cinemas E os lares Nas favelas Coberturas Quase todos os lugares. E mais uma criança nasceu. Não há mentiras nem verdades aqui Só há música urbana. Composição: Renato Russo, 1986

Ideologia

Meu partido É um coração partido E as ilusões Estão todas perdidas Os meus sonhos Foram todos vendidos Tão barato Que eu nem acredito Ah! eu nem acredito... Que aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Frequenta agora As festas do "Grand Monde"... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma prá viver Ideologia! Eu quero uma prá viver... O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs Não tem nenhum rock 'n' roll Eu vou pagar A conta do analista Prá nunca mais Ter que saber Quem eu sou Ah! saber quem eu sou.. Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma prá viver Ideologia! Prá viver... Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma prá viver Ideologia! Eu quero uma prá viver.. Ideologia! Prá viver Ideologia! Eu quero uma prá viver...

Composição: Cazuza/Roberto Frejat

O Eleito

Ele é esperto e persistente

Acha que nasceu pra ser respeitado

Ele é incerto e reticente

Acha que nasceu pra ser venerado

O palácio é o refúgio mais que perfeito

Para os seus desejos mais que secretos

Lá ele se imagina o eleito

Sem nenhuma eleição por perto

Ele é o esperto, ele é o perfeito

Ele é o que dá certo, ele se acha o eleito

Seus ternos são bem cortados

Seus versos são mal escritos

Seus gestos são mal estudados

A sua pose é militarista

Ele se acha o intocável

Senhor de todas as cadeiras

Derruba tudo pra ficar estável

Ele não está aí para brincadeira

E o tempo passa quase parado

E eu aqui sem a menor paciência

Contando as horas como se fossem trocados

Como se fossem contas de uma penitência

E tudo parece estar errado

Mas nesse caso o erro deu certo

Foi o que ele disse a o pé do rádio

Com a honestidade pelo avesso

Composição: Lobão &Bernardo Vilhena)

Alvorada Voraz

Na virada do século, alvorada voraz,

Nos aguardam exércitos, que nos guardam da paz. Que paz !

A face do mal, um grito de horror, um fato normal, um êxtase de dor e

Medo de tudo, medo do nada, medo da vida, assim engatilhada

Fardas e forças, forjam as armações

Farsas e jogos, armas de fogo, um corte exposto,

Em seu rosto amor, e eu,

Nesse mundo assim, vendo esse filme passar,

Assistindo ao fim, vendo esse filme passar

Apolípticamente, como um clip de ação,

Um clic seco um revólver, aponta em meu coração

O caso Morel, o crime da mala, Coroa-Brastel, o escândalo das jóias,

E o contrabando, um bando de gente importante envolvida

Juram que não torturam ninguém, agem assim, pro seu próprio bem,

São tão legais, foras da lei, e sabem de tudo,

O que eu não sei, não

Nesse mundo assim, vendo esse filme passar,

Assistindo ao fim, vendo esse filme passar

Composição: Paulo Ricardo,Luís Schiavon e Paulo Pagni, 1985